"Não pense que eu escrevo aqui o meu mais íntimo segredo, pois há segredos que eu não conto nem a mim mesma." CLARICE LISPECTOR

quarta-feira, janeiro 25

E a sua flor era única no mundo...

   O pequeno príncipe foi rever as rosas:

_ Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu a tornei minha amiga. Agora ela é única no mundo.
E as rosas ficaram desapontadas.
_ Sois belas, mas vazias – continuou ele. – Não se pode morrer por vós. Um passante qualquer sem dúvida pensaria que a minha rosa se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que todas vós, pois foi ela quem eu reguei. Foi ela quem pus sob a redoma. Foi ela quem abriguei com o pára-vento. Foi nela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas) Foi ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. Já que ela é a minha rosa.

E voltou, então, à raposa:
_ Adeus… – disse ele.
_ Adeus – disse a raposa. – Eis meu segredo. É muito simples: Só se vê bem com o coração. O essencial é invisivel aos olhos.
_ O essencial é invisível aos olhos – repetiu o princepizinho, para não se esquecer.
_ Foi o tempo que perdeste com tua rosa que a fez tão importante.”

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